As regiões Oeste e Extremo Oeste de SC viveram, ao longo do último século, uma história de lutas e de incertezas – com vitórias e derrotas. Durante décadas, a região experimentou a omissão do poder público. Sempre faltaram políticas públicas adequadas à configuração social e econômica de nossas populações.
Apesar de ser o "celeiro" catarinense e de concentrar 80% das ocupações produtivas no campo, foi necessário batalhar de maneira constante pela ampliação das perspectivas sociais, com projetos e programas. Distante dos principais centros políticos do Estado e com características peculiares, ligadas ao campesinato e à agricultura familiar, a região tenta não perder sua caracterização depois dos ciclos de êxodo rural, intensificados a partir da década de 1980.
Somente no Extremo Oeste, nos 20 municípios próximos da fronteira com a Argentina, temos 160 mil habitantes e 4% do território do Estado. No entanto, questiono se, antes do Governo Lula, tivemos investimentos concretos nessa região por parte do Estado e da União? A resposta para essa pergunta é "abandono". Foram décadas e décadas sem políticas integradas e inclusivas, que garantissem, por exemplo, formação para os nossos jovens.
Em nossas ações, na Assembléia Legislativa e fora dela, procuramos sempre demonstrar que o Oeste de Santa Catarina é, na verdade, um grande "celeiro de oportunidades". Basta, para que isso se concretize, que haja apoio dos Poderes Públicos, e o devido reconhecimento da dívida histórica que eles têm com todo Oeste. E essa não é uma dívida somente monetária, medida pelos aportes de recursos feitos. Ela é uma dívida de organização, de apoio, de debate conjunto para se pensar o que Oeste e Extremo Oeste serão no futuro.
Parte dessa dívida é recuperada, hoje, com ações como a criação da Universidade Federal da Mesorregião, e o investimento ampliado no crédito para a agricultura familiar. Mas é preciso avançar, olhando para o que queremos da nossa região daqui há 10, 20 anos.
Precisamos oportunizar cursos médios e superiores voltados à nossa realidade, promover seminários e debates que avaliem cada cadeia produtiva, em especial do leite, e que também apresentam alternativas para diversificação. Enfim, com os pés no presente e os olhos no futuro.
Integrar nossos jovens a esse desenvolvimento virtuoso é garantir que, em breve, eles sejam os novos desbravadores, ampliando as possibilidades de geração de renda, emprego e qualidade de vida, aqui nesta terra. O futuro que queremos em todo Estado, de desenvolvimento e respeito pela vida, passa pela valorização do Oeste, de suas populações, de sua cultura e, acima de tudo, do potencial que durante tanto tempo esteve restrito por conta da omissão do Estado.
Padre Pedro Baldissera
Deputado Estadual